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Associação de aspectos sociais, econômicos e ambientais

Publicado em 15 março 2012 por Maria Rosa DOMINICI

 Associação de aspectos sociais, econômicos e ambientais

José Geraldo Rivelli Magalhães

Engenheiro Florestal

Apresentação

Ascertezas em relação à cultura equivocada sobre as plantações de eucalipto, comoprejudicial ao meio ambiente, os males que o autoritarismo político causa àsociedade, a falta de saneamento básico, o desmatamento e as verdades sobre afome no mundo, como grandes problemas socioambientais do Brasil, entre outros.

Noartigo abaixo, confira todas essas questões sob a luz da experiência pessoal eprofissional do engenheiro florestal, José Geraldo Rivelli Magalhães, graduadopela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e presidente do Instituto Xopotó, umaOrganização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP).

Já nosprimeiros anos de vida profissional, exerceu a função de Assistente Técnico doengenheiro florestal italiano, Lamberto Golfari, especialista em ecologiaflorestal, em um programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento que, naépoca, realizou o Zoneamento Ecológico do Brasil para Reflorestamento. Nasandanças pelo Brasil , além dos ensinamentos adquiridos na convivência com oitaliano, teve a rara oportunidade de conhecer de perto a realidade brasileirade norte a sul, de leste a oeste, fato que aguçou sua visão social eambientalista. Pelo mundo pode vivenciar as diferenças entre alguns paísespobres da América Central e África com os países ricos como Austrália, EstadosUnidos, Japão, Noruega, Dinamarca, Finlandia e Suécia.

O equívoco existente nasociedade e a verdadeira contribuição em relação à plantação de eucalipto parao desenvolvimento social, econômico e ambiental das comunidades rurais

O eucalipto é uma plantacujas espécies, em sua maioria, são nativas da Austrália. Chegou ao Brasil hámais de um século e é cultivado em mais de 100 países. O Brasil tem a maisavançada tecnologia do seu cultivo que, somada a condição de país tropical,possibilita obter as maiores produtividades do mundo. O fato é que, aliandotecnologia de ponta às condições de clima, solo, espaço geográfico edisponibilidade de mão-de-obra rural, temos condições de ser o celeiro mundialde madeira de plantações sustentáveis, gerando milhares de empregos eprotegendo o meio ambiente. Entretanto, ainda predominam muitas crendices einverdades acerca da cultura do eucalipto.

A sociedade modernanecessita de uma série de produtos cujas fontes de matéria prima são asplantações de eucalipto. Apenas para citar alguns: madeira para construção

civil, móveis a partir de madeira sólida eprocessada (MDF, fibras, aglomerados, laminados, etc), papéis de imprensa,sanitários, absorventes higiênicos e fraldas, tecidos (tencel e viscose), óleosessenciais para a indústria química e farmacêutica, fibras e celulose líquidapara a indústria alimentícia, postes para eletrificação e telefonia, dormentes,carvão vegetal e lenha para uso industrial e doméstico, para embalagens, etc.

Os programas de fomentoflorestal realizados pelas empresas, individualmente ou por meio deassociações, têm três componentes importantes: osocial, na medida em possibilita a açãoem conjunto de vizinhos no sistema de mutirão, que é a troca de serviços: o econômico, pela valorização da propriedade na utilizaçãode áreas não apropriadas para agricultura e pecuária, além da geração de rendapor mais uma atividade e o ambiental,pela redução da pressão sobre os remanescentes florestais nativos.

Por último, valeressaltar que a plantação de eucalipto, quando alcança a idade de cinco anos,pode ter a sua colheita iniciada, para diferentes usos, sempre fora do períododas atividades das lavouras tradicionais. Se o produtor necessitar ou o mercadonão estiver bom, a madeira pode ficar armazenada em pé, continuando a aumentarde volume, fazendo aumentar o estoque, diferentemente das culturas anuais quetêm o seu período certo de colheita para não ser perdida ou o boi gordo que,depois de certa idade,

não engorda mais, só endurece a carne.

Os desafios mundiais na áreasocioambiental

Na atualidade, osgovernantes das grandes potências democráticas possuem vários desafios, dentreos quais merece destaque: acabar com os regimes autoritários, uns explícitosoutros fantasiados. Os regimes autoritários só promovem o aumento dos problemase das desigualdades sociais, que acabam gerando degradação ambiental e ainsegurança política. Para a primeira afirmação tem-se o caso de vários paísesafricanos, onde dirigentes ditadores promovem uma constante carnificina, sóadministram em interesse próprio e só é beneficiada a minoria que está próximado poder. Para a segunda afirmação tem-se a postura assumida pela Coréia doNorte, por meio do seu governo tirano, que ameaça a paz mundial. Uma outraquestão, muito séria, refere-se à fome. Há produção de alimentos, em quantidadesuficiente, para eliminar a fome no mundo. O problema é que esta produção estámal distribuída, não há vontade política dos países ricos em redistribuí-la. NoBrasil, só a perda que ocorre na colheita, no transporte e processamento é algoimpressionante e, por último não se pode deixar de colocar a questão real doaquecimento global que vem dando, a cada dia, demonstrações inequívocas da suaforça. É necessário, imperioso e urgente, que as nações desenvolvidas assumam,de verdade, a responsabilidade com relação a este problema.

Questõ es específicas em Minas eno Brasil

No campo ambiental, um dos grandes problemas doBrasil se refere ao saneamento básico, que abrange o tratamento de água e oesgotamento sanitário e a questão do desenfreado desmatamento da Amazônia. EmMinas Gerais, a grande questão está, também, relacionada ao saneamento e aodesmatamento dos remanescentes florestais nativos. Temos a tradição daindústria siderúrgica a carvão vegetal. Enquanto não se separar o joio do trigoo problema permanecerá, se agravando cada vez mais. As grandes empresassiderúrgicas integradas fizeram, ao logo do tempo, grandes investimentos empesquisas e na formação de sua base de matéria prima florestal, por meio dasplantações florestais de eucalipto, gênero florestal, cujas espécies sãoadequadas ao uso energético. As empresas não integradas, com raras exceções,não investiram nisso e continuam dilapidando os remanescentes florestaisnativos do estado e do país.

Apontando soluções

Só há duas saídasprincipais: no campo político a criação de um projeto de lei, de iniciativapopular, alterando a legislação eleitoral, a exemplo do que fez a ConfederaçãoNacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com relação ao impedimento decandidaturas de pessoas com ficha suja, mas lamentávelmente ainda não foi consolidada.Se a constituição diz que todos somos iguais perante a lei, por que é exigidodos nossos filhos atestado de bons antecedentes para fazerem inscrição para umsimples concurso público e não é exigido nada dos senhores candidatos a cargospúblicos? Qualquer um pode ser candidato, inclusive os que cometem atosilícitos. Isso se dá porque ficam protegidos pelo fórum privilegiado, o que temfeito do Congresso um bom esconderijo para pessoas de, no mínimo repito,reputação duvidosa.

Em Minas, nas últimaseleições, tivemos casos de candidatos que estavam presos e foram eleitos. Hácasos, também de candidatos que cometeram crimes durante a campanha eleitoral eseguiram até o fim. É absurdo! A segunda proposta é um investimento maciço naeducação, no que tange à qualificação e remuneração digna aos professores, doensino fundamental ao superior. Aprimorando e padronizando, como prega oSenador Cristóvão Buarque, com um exemplo de padronização, didaticamentefantástico: “Escola pública deve ser responsabilidade do Governo Federal e sertal como é uma agência do Banco do Brasil, que tem o mesmo padrão deatendimento, em qualquer lugar do Brasil, só varia de tamanho”. Delegar oensino fundamental especialmente aos municípios é um crime para com asociedade. Continuamos fabricando analfabetos funcionais. As provas estão aí.Se muitos prefeitos não conseguem administrar a caixa d’água do município comoirão administrar, com eficiência, a rede municipal de ensino?

Projetos

Para que estas mudançasaconteçam tem que haver um levante pacífico da sociedade para reencontrar aética, recuperar valores, entre eles o de SER em vez de TER, de recuperardireitos.

Para que algumasmudanças se efetivem é imperioso e urgente que seja feita uma verdadeirarevolução na educação em todos os níveis, o que resultará na construção de umasociedade verdadeiramente cidadã. Para que isto aconteça é necessário uma boagestão pública que promova uma mudança cultural na sociedade. No entanto, faltavontade política e maior determinação do povo brasileiro, em defesa dodesenvolvimento cultural da Nação. Somos um povo acomodado. Gostamos muito dereclamar, mas não somos de ir à luta, nem de cobrar daqueles que se dizem nossosrepresentantes. Aliás, fica difícil cobrar, pois ninguém ou quase ninguém selembra de quem ajudou a eleger com seu voto. Não há falta de recursos, pois sehá tantos desvios, é porque há muito dinheiro. Conhecimento e pesquisa para asmudanças necessárias não é o caso. O que nos falta é uma ação integrada dostrês poderes da república, no sentido de atualizar e aplicar a legislaçãoexistente. O que não nos falta são leis, mas, ao contrário, faltam a suacorreção, atualização, vontade e coragem para aplicá-las.

Equalização entre investimento,ação e resultado

Em primeiro lugar, nãopodemos colocar a questão dos investimentos na área ambiental como responsabilidade única dosempresários, e sim de todos. Por exemplo, a questão do saneamento. Quantascidades brasileiras possuem tratamento do esgoto sanitário? Isto éresponsabilidade do poder público nos três níveis de governo (municipal,estadual e federal). As indústrias, por razões legais e de certificação, que éuma ação voluntária, estão fazendo o seu dever de casa e possuem as estações detratamento de efluentes com alto nível de tecnologia e eficiência. Não existeempresa de grande porte funcionando sem tratamento de efluentes líquidos econtrole de emissões gasosas.

Resolver a equação Investimentox Ação x Resultados, é específica de cada tipo de indústria. As empresas, emtodos os segmentos produtivos, atingiram certo grau de maturidade e muitasestão acima do que exige a legislação. A evidência disso são as certificaçõesda série ISO, o Conselho de Manejo Florestal (FSC) e o Certificado de ManejoFlorestal (CERFLOR), que são ações voluntárias e, em alguns casos, exigência demercado.

A proteção do meio ambiente emdetrimento da preservação e da sustentabilidade não deveria estar apenas no tripé:social, econômico e ambiental.

Preservação como sinônimo de intocabilidade deveser observada para as unidades de conservação, ou seja, as reservas biológicase as áreas de acesso restrito dos parques estaduais e nacionais. Proteçãosignifica uso consciente. Não podemos admitir que um pequeno proprietário ruralnão possa usufruir, sem depredar, de material para uso no seu dia a dia. Temosassistido, com muita freqüência, a autuação, pela polícia ambiental, do homemsimples do campo por usar madeira na sua propriedade para reforma de uma cercaque protege sua roça de milho e de feijão. Quanto à questão da ResponsabilidadeSocial, é necessária a mudança dos três pilares clássicos da sustentabilidadepara quatro. De nada adianta ter sustentabilidade social, econômica e ambientalse não tiver sustentabilidade política. No Brasil, mudam-se os governantes,especialmente a nível municipal, e paralisam-se as ações, obras e projetos,porque a alternância no poder ocorre, muitas vezes, entre adversários. A sociedadeperde duplamente: os recursos e a obra, projeto ou ação.


José Geraldo Rivelli Magalhães



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Maria Rosa DOMINICI

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psicologa,psicoterapeuta vittimologa,membro dell'Accademia Teatina delle Scienze,della New York Academy ofSciences,dell'International Ass. of Juvenile and Family Court Magistrates,della Società Italiana di Vittimologia,della W.S.V.,dell'Ass.internazionale di Studi Medico Psico Religiosi.,docente di seminari di sessuologia, criminologia e vittimologia in università Italiane e straniere,esperta per progetti Daphne su tratta di minori e sfruttamento sessuale,creatrice del progetto Psicantropos,autrice di varie pubblicazioni,si occupa di minori e reati ad essi connessi da 40 anni.

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